quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Veja o que fazer se passou em concurso e não foi chamado

Decisão do STJ garante posse de aprovado dentro do número de vagas.
Para entrar na Justiça, candidato deve estar atento à validade do concurso.

Saiba como entrar na Justiça para assumir a vaga
Fique atento ao prazo de validade do concurso e se ele será prorrogado. Concursos podem ter duração de 60 dias (área fiscal) a dois anos (a maioria), sendo prorrogáveis pelo mesmo período. Para ter certeza, antes do final da validade, procure o setor de concursos do órgão para o qual está concorrendo à vaga.
O prazo de validade começa a partir do resultado final (homologação), com a publicação da lista dos aprovados, e vai até o final do período da prorrogação.
Os candidatos devem ingressar com ação ordinária até o último dia de validade do concurso, independente se houver prorrogação. Na ação ordinária é possível apresentar provas e acrescentar novos fatos ao longo do processo. O processo pode demorar um pouco mais, mas a probabilidade de o candidato ganhar a ação é maior.
O candidato pode ainda entrar com mandado de segurança, cujo processo costuma ser mais rápido que o da ação ordinária porque não se pode produzir provas. Nesse caso, o prazo para ingresso é de no máximo 120 dias após o último dia de validade do concurso.
Para dividir as despesas, os candidatos prejudicados podem entrar com a medida judicial com outros colegas que estejam na mesma situação. Mas eles devem ter passado no mesmo cargo e terem classificação subsequente (um seguido do outro na lista).
Se não tiver recursos financeiros, o candidato pode procurar o Ministério Público (se for em grupo) e a Defensoria Pública (ação individual). No entanto, o MP deve ser procurado um ano antes do término da validade porque será proposta uma ação civil pública. Já a Defensoria Pública deve ser procurada pelo menos um mês antes de terminar a validade do concurso.
A Associação Nacional de Apoio e Proteção aos Concursos (Anpac) presta orientação jurídica gratuita e indica profissionais que podem ingressar com ações na Justiça. Um advogado atende às terças-feiras, das 10h30 às 12h e das 15h às 17h, na sede da entidade no Rio de Janeiro. Mas é preciso fazer o agendamento antes pelo telefone (21) 2262-9562.
Fonte: Leonardo de Carvalho, advogado especialista em concursos públicos e diretor jurídico da Anpac

De acordo com especialistas ouvidos pelo G1, a decisão por unanimidade da 5ª Turma do STJ que favoreceu sete candidatos a cirurgião dentista na Secretaria de Saúde do Amazonas servirá de referência para os tribunais do país e até mesmo agilizará as próximas decisões.


No ano passado, a, com a diferença de que valia apenas para os concursos dentro do prazo de validade, que pode ser de até dois anos, prorrogáveis por mais dois anos.


“Antes do julgamento do STJ que mudou o entendimento sobre a questão, os órgãos e entidades argumentavam que a aprovação em concurso público gera apenas expectativa de direito à nomeação e que compete à administração pública nomear os aprovados de acordo com sua conveniência e oportunidade. A administração não pode simplesmente alegar falta de recursos financeiros para a nomeação, pois essa despesa com pessoal já deve estar prevista antes mesmo da publicação do edital”, explica José Wilson Granjeiro, especialista em direito administrativo e diretor-presidente do grupo Gran Cursos.

Cadastro de reserva

Mas ele alerta: o perigo é se os órgãos e as entidades somente abrirem concursos com cadastro de reserva. “Nesses casos, ainda não há nada que se possa fazer. Ao optar pela não divulgação do número de vagas, o órgão consegue burlar a garantia dos concursandos. Por isso, insisto na tese de que é preciso ser editada lei federal que garanta ao aprovado direito líquido e certo à nomeação no prazo de 30 dias, contados da homologação do resultado final do concurso”, diz.

O advogado Geraldo da Silva Frazão representou os sete candidatos em ação movida contra a Secretaria de Saúde do Amazonas, que em 2005 abriu concurso para 112 vagas para o cargo de cirurgião dentista. A validade do concurso foi prorrogada até junho de 2009. Nesse período, porém, foram nomeados 59 dos 112 aprovados.


Frazão diz que entrou com mandado de segurança preventivo e coletivo em maio de 2007, antes de a validade de dois anos acabar, que seria em junho daquele ano. Os sete candidatos se juntaram e o procuraram com temor de que não fossem chamados.


Após passar pela primeira instância e pelo Tribunal de Justiça do Amazonas, em outubro de 2008 a ação já estava no STJ.


Segundo o advogado, a decisão demorou dois anos, o que para ele foi rápido. De acordo com Frazão, quanto mais candidatos entrarem juntos com ação, o mandado de segurança fica mais barato.


Leonardo de Carvalho, advogado especialista em concursos públicos e diretor jurídico da Associação Nacional de Apoio e Proteção aos Concursos (Anpac), ressalva que o preço cobrado depende do escritório de advocacia. Mas ele diz que para a decisão ser favorável ao grupo é melhor que os candidatos estejam concorrendo ao mesmo cargo e tenham classificação subsequente (tenham passado em posições seguidas).

Prazo de validade

Para Carvalho, o candidato deve ficar atento aos prazos para ingressar com as ações na Justiça. Para isso, não pode correr o risco de esperar o concurso ser prorrogado.


Granjeiro recomenda que, com pelo menos dois meses antes da validade do concurso acabar, o candidato pode protocolar um documento no órgão para o qual prestou concurso pedindo a nomeação. O órgão tem no máximo 30 dias para deferir ou indeferir o pedido. Com a resposta em mãos, o candidato pode entrar com mandado de segurança até no máximo 120 dias depois da negativa.


“Antes [o órgão] deixava caducar o concurso para não ter mais a obrigatoriedade de chamar, agora isso mudou”, afirma.


Para Granjeiro, quanto mais decisões favoráveis houver mais o processo na Justiça é agilizado. “Os juízes acabam seguindo essas jurisprudências.”

Para especialistas, governo federal não fará restrição total a concursos

Durante o anúncio dos cortes no orçamento do governo para 2011, na última quarta-feira (9), a ministra do Planejamento, Miriam Belchior, disse que estão suspensas as nomeações de aprovados em concursos públicos "até ser feita uma análise criteriosa das necessidades". Segundo Miriam, será feita uma análise caso a caso: "Vemos com muito cuidado qualquer nomeação neste ano."

Ela também afirmou que concursos novos só serão abertos após avaliação. "Se eu não vou nomear quem já está concursado, concursos novos também só após essa análise criteriosa", disse.

Especialistas ouvidos pelo G1 destacam que eventuais restrições a novos concursos ficariam somente na esfera federal, que representa a minoria dos concursos públicos, e acreditam que elas não seriam tão grandes. "O que imagino que vá acontecer, como em todo início de governo ou época de crise, é que as suspensões acontecerão no primeiro semestre, mas [as nomeações] são retomadas no segundo. Nessas áreas acontece mais a reposição de quadro em função de aposentadoria, por exemplo. Não é geração de despesa", diz José Wilson Granjeiro, especialista em direito administrativo.

Aprovado dentro do número de vagas tem direito líquido e certo de ser nomeado"
José Wilson Granjeiro,
especialista em direito administrativo

Direito do aprovado
É o Ministério do Planejamento quem autoriza a abertura de concursos para a administração federal. E, para que os aprovados tomem posse, é necessária uma segunda autorização. Os concursos públicos têm prazo de validade, informado no edital, e podem ser para um determinado número de vagas abertas ou para cadastro de reserva -quando os aprovados são chamados conforme a necessidade do órgão.

Granjeiro orienta o candidato aprovado dentro do número de vagas para um concurso federal que entre na Justiça com mandado de segurança, caso o prazo de validade desse concurso esteja perto de expirar: "Se ele foi aprovado dentro desse número, é líquido e certo seu direito de ser nomeado". Em caso de cadastro de reserva, não há garantia, diz ele.

Copa e Olimpíadas 'exigirão contratações'
Para os especialistas em concursos, a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016, exigirão contratações no serviço público federal para breve. "O país receberá dois grandes eventos internacionais nos próximos anos e precisa estar preparado. Além disso, servidores se aposentam e precisam ser substituídos – a máquina pública não pode parar", diz Lia Salgado, colunista do G1.

Granjeiro acredita que possa haver mais restrição para criação de novas vagas, mas não para reposição. Ele lembra o compromisso do governo de substituir os terceirizados no serviço público federal. "Os terceirizados custam três vezes mais. A substituição acarretaria em economia, não em mais despesa", diz. O especialista destaca ainda que, no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), 63% dos funcionários vão se aposentar até 2013. "E o governo federal já havia divulgado que 85% dos atuais servidores vão se aposentar até 2015."

90% dos concursos públicos são estaduais e municipais, que não serão afetados"
Thiago Sayão, presidente do
curso preparatório Damásio de Jesus

Concursos estaduais e municipais
Thiago Sayão, presidente do curso preparatório Damásio de Jesus, diz que é importante lembrar que as seleções federais são a minoria dos concursos públicos. "A grande parte, 90%, são estaduais e municipais e não serão afetados pela decisão do Planejamento."

O especialista também não acredita em restrições generalizadas aos concursos federais. "Todo concurso, para ser aberto, é analisado caso a caso. Ele tem um motivo para acontecer: aposentadoria, falecimento, demanda de novos funcionários. Seguramente, haverá uma diminuição nos concursos, mas não é que não acontecerá nenhum", opina.

Sayão lembra que, recentemente, o governo anunciou medidas parecidas. "Não é a primeira vez que isso acontece. No fim de 2007, após a extinção da CPMF, o presidente Lula disse que em 2008 não haveria concursos, mas chegaram a acontecer diversas seleções. Em 2009 também", afirma. O mesmo, acredita, ocorrerá com o 'congelamento' de nomeações. "Algumas seleções já estão em período de treinamento, ou seja, a pessoa já está lá dentro. O órgão vai brigar por aqueles funcionários que ele já teve custo para selecionar, vai haver uma pressão."

Lia Salgado, aconselha quem está se preparando para tentar um concurso público federal a manter a preparação. "É seguir aperfeiçoando o conhecimento, atento aos concursos municipais e estaduais, e aguardar que a situação se clareie e seja definido quais concursos acontecerão."

Suspensão de nomeações 'congela' 800 vagas em concursos federais

provados em concursos federais para ao menos 800 vagas estão à espera de que o Ministério do Planejamento autorize a posse. Na semana passada, o governo decidiu suspender essas nomeações e novos concursos, para analisar cada seleção em particular, em função de corte de gastos. O G1 fez o levantamento dos concursos feitos a partir de 2009, que já definiram os aprovados e dependem dessa pasta para dar posse a eles. (Nota da Redação: Após a publicação da reportagem, internautas apontaram outras seleções que também enfrentam pendências e, após consulta junto aos órgãos, foram incluídas na tabela abaixo, o que aumenta o número de vagas 'congeladas').

Entre concursos federais que já realizaram provas, mas ainda não divulgaram os aprovados, há ao menos outras 1,2 mil vagas em jogo, incluindo as da seleção do Inmetro que, na primeira versão desta reportagem, constava entre os homologados, mas que, segundo a assessoria de imprensa do órgão, só deve divulgar o resultado final em 4 de abril. Esses concursos também são para áreas que precisam de aval do Planejamento para nomear os classificados, mas o prazo de validade deles só será contado a partir da divulgação do resultado final, a chamada homologação.

Veja ainda no levantamento abaixo os concursos abertos a partir de 2009 e que, segundo os órgãos, já deram posse a todos os aprovados, mas estão na validade. Ou seja, se houver desistência, a instituição ainda pode chamar candidatos que participaram daquela seleção.

Veja a situação de concursos que dependem do Planejamento

Vagas Validade Homologação Prorrogação Situação
EM ANDAMENTO
(não homologados)
Abin 2010 80 6 meses - - em fase de exames médicos
CVM (Min. da Fazenda) 2010 150 2 anos - - avaliando recursos dos resultados das provas
Embratur 2010 84 2 anos - - realizou prova objetiva
Fiocruz 2010 (tecnologista, pesquisador e especialista) 381 1 ano - - em fase de análise de títulos e defesa de memorial
Inmetro (Min. Desenvolvimento 2010) 253 1 ano e 6 meses - - em fase de avaliação de títulos e experiência profissional
Inst. Evandro Chagas (Min. da Saúde) 2010 392 2 anos - - em fase de divulgação de resultados
Ministério do Meio Ambiente 2010 200 2 anos - - divulgou gabaritos
Previc 2010 100 1 ano - - em fase de divulgação de resultados
JÁ HOMOLOGADOS
(entre eles, os que
aguardam autorização
para nomear)
Aneel 2010 186 2 anos 08/09/2010 - nomeou 47 técnicos; falta nomear analistas e especialistas (139)
Cnen (Ministério de Minas e Energia) 2010 202 1 ano 30/06/2010 - nomeou 159 e aguarda autorização para os demais 43
Fiocruz 2010 (técnico, assist. técnico) 212 1 ano 05/01/2011 - aguarda autorização para nomear; órgão espera nomear junto com os aprovados aos demais cargos previstos: há três seleções ainda em andamento (850 vagas no total)
Fiocruz 2010 (analista) 257 1 ano 25/01/2011 - aguarda autorização para nomear; órgão espera nomear junto com os aprovados aos demais cargos previstos: há três seleções ainda em andamento (850 vagas no total)
Fundacentro (Min. do Trabalho e Emprego) 2010 62 1 ano 02/07/2010 - aguarda autorização para nomear
Inca (Min. da Saúde) 2009 191 2 anos 30/06/2010 - já iniciou a nomeação, aprovados estão fazendo exame médico
Incra (Min. do Desenvolvimento Agrário) 2010 550 1 ano 01/07/2010 - concurso é alvo de ação judicial; órgão diz que já tem autorização, mas fará as nomeações "somente se reunir garantias de que a medida não corre risco de ser tornada sem efeito por decisão judicial"
Ministério da Defesa 2010 321 1 ano 31/12/2010 - aguarda autorização para nomear
Ministério do Turismo 2010 112 2 anos 29/12/2010 - aguarda autorização para nomear
Min. do Planejamento 2009 (analista de planejamento e orçamento) 100 6 meses 11/10/2010 - aguarda autorização para nomear
Min. do Planejamento 2009 (Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental) 100 6 meses 24/01/2011 - 99 nomeados, 1 vaga em aberto, sub júdice
Receita Federal
(auditor)
450 6 meses 24/06/2010 sim (em 22/12/2010) nomeou 436, aguarda autorização para nomear mais 14 auditores
Receita Federal
(analista)
700 6 meses 23/06/2010 sim (em 22/12/2010) nomeou 625 analistas; aguarda autorização para os 75 restantes
ENCERRADOS
(que já nomearam, mas
ainda estão dentro
da validade)
Banco Central 2009
(técnico)
150 1 ano 21/06/2010 - todos nomeados
Banco Central 2009 (analista) 350 1 ano 21/06/2010 - todos nomeados
Banco Central 2009 (procurador) 20 2 anos 19/04/2010 - todos nomeados
Depto Nacional de Produção Mineral (Min. de Minas e Energia) 2009 256 2 anos 28/04/2010 - todos nomeados
Funag (Min. das Relações Exteriores) 37 2 anos 01/07/2010 - todos nomeados
IBGE 2009 350 2 anos 06/10/2009 - todos nomeados
Ministério da Cultura 2010 253 1 ano 02/06/2010 - todos nomeados
Ministério da Fazenda 2009 2000 1 ano 03/07/2009 sim (em 07/07/2010) todos nomeados
Ministério do Meio Ambiente 2009 248 2 anos 27/05/2009 sim todos nomeados
Ministério de Pesca e Aquicultura 100 2 anos 30/06/2010 - todos nomeados
Susep (Min. da Fazenda) 138 1 ano 22/06/2010 - todos nomeados

Dos concursos relacionados nesta reportagem, a média de validade é de 1 ano e 6 meses. Entre os que aguardam para nomear e estão perto de expirar estão os da Receita Federal de 2009, para auditor e analista. Já foram chamados 1.061 aprovados, mas o órgão ainda espera aval do Planejamento para os 89 que faltam. Os dois concursos valem por seis meses e já foram prorrogados uma vez, como previsto no edital. Perderão a validade em junho próximo.

Trabalhadores não formalizados têm dificuldade em receber férias e 13º

Informação consta em estudo realizado pelo IPEA no 2º semestre de 2010.
Para 18% dos empregados, salário não está correto na carteira de trabalho.

Do G1, em Brasília

34,6% dos trabalhadores sem registro disseram receber menos de um salário mínimo

Estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgado nesta quarta-feira (16) revela que os trabalhadores não formalizados enfrentam dificuldades no país. Eles têm mais problemas em receber o 13º salário e o pagamento de 1/3 das férias, além de também representarem a maior parte dos empregados que recebe menos de um salário mínimo. O levantamento foi realizado no segundo semestre de 2010, com 2.773 pessoas de todo país.

Os números do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre trabalho e renda mostram que 64% dos entrevistados informaram estar empregados na semana anterior à pesquisa, enquanto que 29% disseram estar inativos (caracterizado por atividades não remuneradas no próprio domicílio, ou que declararam não ter trabalhado nem procurado trabalho na semana de referência). Somente 7% informaram estar desempregados.

No caso dos empregados, 64% daqueles não formalizados informaram que seus empregadores não pagam o 13º e as férias de forma correta, contra 2,5% dos formalizados que assinalaram essa opção. Ao mesmo tempo, 10,6% dos empregados sem carteira assinada informaram ter dificuldade em receber seu salário de forma correta (data e valores certos), na comparação com 5% dos trabalhadores formalizados.

Menos de um salário mínimo
Segundo o estudo do IPEA, 34,6% dos trabalhadores sem registro profissional disseram receber menos de um salário mínimo, contra 9,4% dos formalizados que disseram estar na mesma situação. No segundo semestre de 2010, época em que o levantamento foi realizado, o salário mínimo estava em R$ 510.

"Este, portanto, era o menor valor que poderia ser pago a um trabalhador assalariado em tempo integral no país. Entretanto, havia um percentual razoável de trabalhadores ocupados em tempo integral que não auferiam essa renda. Note-se que nem mesmo aqueles trabalhadores considerados “protegidos” (servidores públicos civis e militares e trabalhadores com carteira de trabalho assinada) estavam livres de receberem salários inferiores ao mínimo legal: 9,41% recebiam. Entre aqueles que não possuíam carteira de trabalho assinada, mais de um terço não auferia o mínimo constitucional", informou o IPEA.

Valor do salário na carteira
Outro problema detectado pelo levantamento é sobre o registro do valor correto do salário na carteira de trabalho. Neste caso, os dados referem-se a trabalhadores formais, ou seja, com carteira assinada. Segundo a pesquisa, 18,3% dos trabalhadores formalizados disseram que seus salários não estão informados corretamente na carteira de trabalho.

"Essa prática, aparentemente comum no mercado de trabalho brasileiro, é utilizada por empregadores para reduzirem o valor dos encargos sociais que recaem sobre o salário de seus empregados, atitude que acarreta prejuízos monetários aos trabalhadores no caso afastamento do trabalho por motivo de acidente, doença, maternidade ou aposentadoria. Isso porque, nessas situações, o cálculo de qualquer um desses benefícios será realizado com base no salário de contribuição (aquele anotado na carteira de trabalho) e não no salário efetivamente pago pelo empregador", informou o IPEA.

Desemprego é maior entre os mais jovens
O IPEA informou ainda que, segundo o levantamento, 54% dos desempregados se concentravam na faixa mais jovem da população, entre 18 e 29 anos.

"Esse dado está de acordo com o que é verificado nas pesquisas de emprego, evidenciando que o desemprego é particularmente concentrado entre os jovens. Por outro lado, cabe destacar ainda que a maioria dos desempregados já teve trabalho remunerado, mesmo na faixa etária mais jovem. Entre as pessoas com 30 anos ou mais, não houve quase ninguém que carecesse totalmente de experiência laboral", informou o IPEA.

Por volta de 45% dos desempregados, ainda segundo o estudo, declararam estar procurando trabalho há mais de seis meses, sendo que quase ¼ dos mesmos disse estar nessa condição há mais de um ano.

"Uma parcela importante dos desempregados encontra-se, portanto, exposta ao desemprego de longa duração, situação preocupante tendo em vista a possível perda de habilidades e vínculos profissionais que daí decorre. Além disso, dado que a cobertura do seguro-desemprego é de no máximo cinco meses (e em média de quatro)", acrescentou o Instituto.

Confira mapa com 50,7 mil vagas no estado de São Paulo

Vagas são oferecidas pelo Centro de Solidariedade e Emprega São Paulo.
traz dois mapas com os cargos e os locais dos postos de trabalho.


O estado de São Paulo tem o total de 50.770 vagas de emprego abertas nesta semana.

Até terça-feira (15), o Centro de Solidariedade ao Trabalhador (CST), centro de intermediação de mão-de-obra na cidade de São Paulo, oferecia 17.278 vagas para a Grande São Paulo, sendo 531 para deficientes. Um subtotal de 12.429 se destina a candidatos que tenham fácil acesso ou residam perto do local de trabalho, uma preferência dos empregadores.

Já o Emprega São Paulo, sistema de intermediação de mão de obra do governo de São Paulo, tinha cadastradas 33.492 vagas em todo o estado, número que é atualizado diariamente.

No estado de São Paulo, as oportunidades são distribuídas pelas 15 regiões administrativas - Araçatuba, Baixada Santista, São José dos Campos, Sorocaba, Campinas, Ribeirão Preto, Bauru, São José do Rio Preto, Presidente Prudente, Marília, Região Central, Barretos, Franca, São Paulo e Registro (Vale do Ribeira) - veja o mapa abaixo. Para ver as oportunidades, basta clicar no link que aparece em cada uma das regiões.